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Eu, Deus e Tu

Antes de tudo, exercei profundo amor fraternal uns para com os outros, porquanto o amor cobre uma multidão de pecados.

(1 Pedro, 4:8)



Infelizmente, o pecado é um inimigo muito presente na vida de qualquer ser humano. 

Não importa se há alguma atenção dada ou luta declarada; ele está sempre por perto. 


Jesus diz que: 

11. Não é o que entra pela boca o que torna uma pessoa impura, mas o que sai da boca, isto sim, corrompe a pessoa”.

(Mateus, 15) 


Essas palavras são mesmo para nos deixar lúcidos de onde está o verdadeiro perigo. 

Os actos pecaminosos que cometemos têm sido tratados na maior parte das vezes como ações externas. Tratamos a eles como coisas que não têm impacto nenhum na nossa estrutura interior. 

A verdade é que, sempre que pecamos, construímos uma deficiência interna, e reforçamos a nossa incapacidade de fazer o bem. 

Essa incapacidade de fazer o bem nos impede de semear, valorizar e proteger 3 tipos de relações extremamente importantes para a vida humana: 


1. A relação com Deus 

Amar a Deus de todo teu coração, de toda a alma, de todo o entendimento e de toda a força. (Marcos, 12:30) 


2. A relação com o Eu e com o Outro 

Amar ao próximo como a mim mesmo. (Marcos, 12:31) 


E por mais incrível que pareça, o amor ao Eu é o que nos atrai a Deus e ao Outro. 

Quando consideramos que Deus nutre o sentido de amor mais puro que se pode imaginar, e que com base nesse amor Ele moldou o ser humano, então podemos entender que sempre que nós desejarmos amar o faremos como Ele nos amou. 

Mas, como poderemos amar como Ele sem que conheçamos os valores do verdadeiro amor? 

É aí onde o relacionamento com Deus se torna uma necessidade humana. 

Amar a Deus não é o cumprimento de uma ordem; é sim a busca de uma consciência do saber amar, dedicada ao Eu, mas escondida em Deus. 

Quem ama a Deus deve obrigatoriamente aprender a amar o Eu, porque em Deus está a explicação do que o Eu deve receber como acto de amor. 

A verdade é que, ainda assim, com uma boa consciência sobre esse amor ao Eu, o pecado ainda está presente. 

Uma vez que conhecemos os fundamentos do amor, em Deus, o amor ao Eu é definido e isso implica começar a condenar o pecado do Eu, que sem a consciência do amor de Deus parece também ser um tipo de amor que satisfaz ao Eu. 

Vemos que essa dualidade presente no Homem é de impactos específicos, sejam construtores ou destruidores: 

17. Porquanto a carne luta contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne. Eles se opõem um ao outro, de modo que não conseguis fazer o que quereis.

(Gálatas, 5) 


A existência dessa luta interna nos sugere que o Homem está sempre procurando amar ao Eu, seja com base no verdadeiro amor, baseado em Deus, ou com a ideia de amor, com base no pecado. 

A verdade é que, pelo facto do Homem estar sempre em busca de fazer o bem a si mesmo, ele sempre tem espaço para pecar. 

Para quem se importa com o facto de ter escolhido o pecado como caminho para amar ao Eu, rapidamente se colocará diante do amor de Deus para que o pecado não permaneça sendo o seu modelo de amor ao Eu em circunstâncias semelhantes, segundo nos confirma o Apóstolo João: 

9. Todo aquele que é nascido de Deus não se dedica à prática do pecado, porquanto a semente de Deus permanece nele e ele não pode continuar no pecado, pois é nascido de Deus.

(1 João, 3) 


Ainda assim, havendo sido cometido um pecado, o arrependimento sobre o mesmo não é algo a ser considerado de ânimo leve. 

Sempre que o Homem peca está a escolher não amar a Deus e isso por si só é uma ofensa. Ainda mais, não amando a Deus o Homem está igualmente rejeitando o verdadeiro amor ao Eu, que prima pelos princípios de Deus sobre como verdadeiramente amar a mim mesmo. 

A verdade é que, Deus em sua soberania escolheu usar nos dias actuais o amor como a mensagem principal a enviar a todo o ser humano, daí que quando iniciamos essa caminhada do amor ao Eu e vamos à Deus, descobrimos que Ele já havia desenhado em Cristo Jesus, o seu Filho, o mapa do amor. 

Esse mapa foi preparado para nos conduzir de volta a Deus, ainda que por uma vontade de amor egoísta, centrada no nosso Eu pecaminoso. 

Jeremias entendeu isso e foi capaz de traduzir o que Deus pensa a respeito, afirmando que: 

22. A bondade do SENHOR é a razão de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim;

23a. renovam-se plenamente a cada manhã!

(Lamentações, 3) 


Querendo com isto dizer que, o próprio acto de se buscar o arrependimento é parte do interesse de Deus em nos fazer conhecer o verdadeiro amor ao Eu, através de Jesus. 

O nosso papel é saber que o arrependimento é o que realmente nos reconecta com Deus, com o Eu e também com o Outro. 

A conexão com o Outro é fruto do verdadeiro amor ao Eu. 

Todo aquele que ama a si mesmo, segundo o amor encontrado em Deus, não vê o Outro como um estranho, e sim como um reflexo de si mesmo. 

É por isso que, amar ao próximo é um acto de amor ao Eu. 

A presença do pecado é o contrário. Sendo que, a presença do pecado é em primeiro lugar uma falta de amor ao Eu, segundo Deus. 


A recomendação que fica é: 

Ame ao seu Eu em Deus e a Deus no seu Eu. 


8. Aquele que não ama não conhece a Deus, porquanto Deus é amor.

19. Nós amamos porque Ele nos amou primeiro.

20. Se alguém declarar: “Eu amo a Deus!”, porém odiar a seu irmão, é mentiroso, porquanto quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não enxerga.

21. Ora, Ele nos entregou este mandamento: Quem ama a Deus, ame de igual forma a seu irmão!

(1 João, 4)


V&P

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